Friday, February 15, 2013

15 Fevereiro - Sexta-feira de Cinzas - A oração, comunhão íntima com Deus



Das Homílias do Pseudo-Crisóstomo
(Supp., Hom. 6 de precatione: PG 64,462-466) (Séc. IV)

A oração é a luz da alma
A oração, o diálogo com Deus, é um bem incomparável, porque nos põe em comunhão íntima com Deus. Assim como os olhos do corpo são iluminados quando recebem a luz, a alma que se eleva para Deus é iluminada por sua luz inefável. Falo da oração que não é só uma atitude exterior, mas que provém do coração e não se limita a ocasiões ou horas determinadas, prolongando-se dia e noite, sem inter­rupção.
Com efeito, não devemos orientar o pensamento para Deus apenas quando nos aplicamos à oração; também no meio das mais variadas tarefas - como o cuidado dos pobres, as obras úteis de misericórdia ou quaisquer outros serviços do próximo - é preciso conservar sempre vivos o desejo e a lembrança de Deus. E assim, todas as nossas obras, tempe­radas com o sal do amor de Deus, se tornarão um alimento dulcíssimo para o Senhor do universo. Podemos, entretanto, gozar continuamente em nossa vida do bem que resulta da oração, se lhe dedicarmos todo o tempo que nos for possível.
 A oração é a luz da alma, o verdadeiro conhecimento de Deus, a mediadora entre Deus e os homens. Pela oração a alma se eleva até aos céus e une-se ao Senhor num abraço inefável; como uma criança que, chorando, chama sua mãe, a alma deseja o leite divino, exprime seus próprios desejos e recebe dons superiores a tudo que é natural e visível.
 A oração é venerável mensageira que nos leva à presen­ça de Deus, alegra a alma e tranquiliza o coração. Não penses que essa oração se reduza a palavras. Ela é desejo de Deus, amor inexprimível que não provém dos homens, mas é efeito da graça divina, como diz o Apóstolo: Nós não sabemos o que devemos pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis (Rm 8,26). (…)
Praticando-a em sua pureza original, adorna tua casa de modéstia e humildade, torna-a resplandecente com a luz da justiça. Enfeita-se com boas obras, quais plaquetas de ouro, ornamenta-se de fé e de magnanimidade em vez de paredes e mosaicos. Como cúpula e coroamento de todo o edifício, coloca a oração. Assim prepararás para o Senhor uma digna morada, assim terás um esplêndido palácio real para o receber, e poderás tê-lo contigo na tua alma, transformada, pela graça, em imagem e templo da sua presença.

Reflexão pessoal

Um dos pilares fundamentais da vida cristã e também um dos exercícios quaresmais é a oração.
A oração vista sobretudo como relação. E uma relação requer o diálogo. São momentos privilegiados em que, saindo de nós mesmo, nos elevamos até Deus. É o aprofundar a minha amizade com Deus, que pode ser feitas de muitas formas e feitios. Posso me auxiliar da Palavra de Deus, de orações que já conheça e que quero fazer minhas, falando espontâneamente com Deus ou simplesmente estar… não dizer nada, marcando a presença.
Este tempo de Quaresma é propicio para que possas arranjar tempo para estar com ele, no silêncio do teu quarto, no silêncio de uma igreja, no rebuliço da cidade a caminho do emprego… Se Deus está em toda a parte (aprendíamos nós no catecismo antigamente!), todo o lugar habitado pelo ser humano pode ser lugar deste encontro.

Thursday, February 14, 2013

14 de fevereiro - Quinta-feira de Cinzas - Purificação espiritual pelo jejum e penitência



Dos Sermões de São Leão Magno, papa
 (Sermo 6 de Quadragesima, 1-2: PL 54,285-287)              (Séc. V)

A purificação espiritual por meio do jejum e da misericórdia
Em todo tempo, amados filhos, a terra está repleta da misericórdia do Senhor (SI 32,5). À própria natureza é para todo fiel uma lição que o ensina a louvar a Deus, pois o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe proclamam a bondade e a onipotência de seu Criador; e a admirável beleza dos elementos postos a nosso serviço requer da criatura racional uma justa ação de graças.
 O retorno, porém, desses dias, que os mistérios da salva­ção humana marcaram de modo mais especial e que prece­dem imediatamente a festa da Páscoa, exige que nos prepa­remos com maior cuidado por meio de uma purificação espiritual.
 Na verdade, é próprio da solenidade pascal que a Igreja inteira se alegre com o perdão dos pecados. Não é apenas nos que renascem pelo santo batismo que ele se realiza, mas também naqueles que desde há muito são contados entre os filhos adotivos.
 É, sem dúvida, o banho da regeneração que nos torna criaturas novas; mas todos têm necessidade de se renovar a cada dia para evitarmos a ferrugem inerente à nossa condi­ção mortal, e não há ninguém que não deva se esforçar para progredir no caminho da perfeição; por isso, todos sem exceção, devemos empenhar-nos para que, no dia da reden­ção, pessoa alguma seja ainda encontrada nos vícios do passado.
 Por conseguinte, amados filhos, aquilo que cada cristão deve praticar em todo tempo, deve praticá-lo agora com maior zelo e piedade, para cumprir a prescrição, que remonta aos apóstolos, de jejuar quarenta dias, não somente reduzin­do os alimentos, mas sobretudo abstendo-se do pecado.
 A estes santos e razoáveis jejuns, nada virá juntar-se com maior proveito do que as esmolas. Sob o nome de obras de misericórdia, incluem-se muitas e louváveis ações de bondade; graças a elas, todos os fiéis podem manifestar igualmente os seus sentimentos, por mais diversos que se­jam os recursos de cada um. (…)
São inúmeras as obras de misericórdia, o que permite aos verdadeiros cristãos tomar parte na distribuição de es­molas, sejam eles ricos, possuidores de grandes bens, ou pobres, sem muitos recursos. Apesar de nem todos poderem ser iguais na possibilidade de dar, todos podem sê-lo na boa vontade que manifestam.

Reflexão pessoal


A Quaresma é um tempo de purificação espiritual: purificação interior e exterior.
Em primeiro lugar tomarmos consciência de criaturas amadas e transformadas pela água do Batismo, essa condição que nos lembra a dignidade de sermos filhos amados de Deus.
Em segundo lugar, todas as obras exteriores de piedade (jejum, esmola) têm como principal objetivo a nossa renovação espiritual. Os atos só por si até podem ser uma prisão. O objetivo desses atos, dessas obras de piedade, são sobretudo a misericórdia e a caridade.
Por muito ou pouco que tenhamos, não deixemos de fazer deste tempo de quaresma um tempo de partilha e atenção aos mais necessitados. Certamente que a nossa renovação espiritual também passa por aí.

Wednesday, February 13, 2013

13 fevereiro - Quarta-feira de Cinzas - O tempo favorável da Penitência



Da Carta aos Coríntios, de São Clemente I, papa
(Cap. 7,4-8,3; 8,5-9,1; 13,1-4; 19,2: Funk 1,71-73.77-79.87)           (Sec. I)

Fazei penitência
Fixemos atentamente o olhar no sangue de Cristo e compreendamos quanto é precioso aos olhos de Deus, seu Pai, esse sangue que, derramado para nossa salvação, ofereceu ao mundo inteiro a graça da penitência.
 Percorramos todas as épocas do mundo e verificaremos que em cada geração o Senhor concedeu o tempo favorável da penitência a todos os que a ele quiseram converter-se. Noé proclamou a penitência, e todos que o escutaram foram salvos. Jonas anunciou a ruína aos ninivitas, mas eles, fazendo penitência de seus pecados, reconciliaram-se com Deus por suas súplicas e alcançaram a salvação, apesar de não pertencerem ao povo de Deus.
 Inspirados pelo Espírito Santo, os ministros da graça de Deus pregaram a penitência. O próprio Senhor de todas as coisas também falou da penitência, com juramento: Pela minha vida, diz o Senhor, não quero a morte do pecador, mas que mude de conduta (cf. Ez 33,11); e acrescentou esta sentença cheia de bondade: Deixa de praticar o mal, ó Casa de Israel! Dize aos filhos do meu povo: "Ainda que vossos pecados subam da terra até o céu, ainda que sejam mais vermelhos que o escarlate e mais negros que o cilício, se voltardes para mim de todo o coração e disserdes: 'Pai', eu vos tratarei como um povo santo e ouvirei as vossas súplicas” (cf. Is 1,18; 63,16; 64,7; Jr 3,4; 31,9). (…)
Obedeçamos, portanto, à sua excelsa e gloriosa vontade. Imploremos humildemente sua misericórdia e benignidade. Convertamo-nos sinceramente ao seu amor. Abandonemos as obras más, a discórdia e a inveja que conduzem à morte. (…)
Antes de mais nada, lembremo-nos das palavras do Senhor Jesus, quando exortava à benevolência e à longanimidade: Sede misericordiosos, e alcançareis misericórdia; perdoai, e sereis perdoados; como tratardes o próximo, do mesmo modo sereis tratados; dai, e vos será dado; não julgueis, e não sereis julgados; fazei o bem, e ele também vos será feito; com a medida com que medirdes, vos será medido (cf. Mt 5,7; 6,14; 7,1.2).

Reflexão pessoal

Uma das palavras que mais ouviremos no tempo da quaresma é o convite à penitência.
O que significa a penitência? Significa sobretudo a coragem de renovação de vida.
Este é o tempo favorável da penitência… é o tempo favorável da renovação de vida e de espírito.
Penitência não tem somente a ver com aquilo que sou e que precisa de ser renovado, mas tem também muito a ver com o meu confronto com os outros.
A verdadeira conversão de vida conduz à misericórdia e à caridade.

Quarta-feira de cinzas - O inicio de mais um tempo de Quaresma


Estamos a viver mais uma quarta-feira de cinzas, que marca o início da Quaresma e preparação para a Páscoa.
Para a Igreja este é um tempo particular de enriquecimento interior, um apelo à conversão, à mudança de vida...
As cinzas evocam isso mesmo. São o sinal da fragilidade da vida humana, do reconhecimento da nossa condição de criaturas fracas e débeis, mas ao mesmo tempo tocadas por Deus, criadas à sua imagem e semelhança. Por isso Deus nunca desiste de nós apesar da nossa fraqueza. A sua misericórdia supera o nosso pecado... o seu amor não pára de nos reabilitar desde que estejamos dispostos para isso.

Como este é um tempo tão rico, e para tirar pleno proveito deste tempo de graça, publicarei todos os dias no blog breves textos e reflexões para vos ajudar a viver em plenitude a Quaresma.
Partindo de excertos dos texto propostos no Oficio Divino para cada dia (a segunda leitura do oficio de leituras), juntarei algumas reflexões pessoais que espero serem do vosso agrado.

Uma boa caminhada quaresmal a todos os meus amigos! Que seja um tempo de renovação do Espírito!

Tuesday, September 04, 2012

A diocese do Guruè - Bispo D. Francisco Lerma



A nossa experiência de missão foi muito rica e um dos aspectos que, por mera casualidade, enriqueceu a nossa estadia no Alto Molócuè, foi a presença do pastor da diocese de Nampula, o bispo D.Francisco Lerma. Uma pessoa muito acessível e simpática, missionário claretiano, eleito pastor desta diocese em 2010.
Convivemos com ele quase todo o mês de agosto. Todos os dias ia a uma comunidade diferente para crismar: uma vez cento e tais, outras duzentos e tais. O recorde foram quase 400 crismas numa só celebração.
Neste sentido, a nossa experiência de missão também foi uma experiência de uma igreja particular, neste caso da diocese do Guruè, com toda a sua vitalidade e também problemáticas.
Os votos de um trabalho frutuoso para este bispo, agradecendo toda a sua simpatia com os voluntários. Um bem haja!

Monday, September 03, 2012

De volta...

Olá amigos...
depois de algum tempo de ausência do blog eis que voltam as noticias e partilhas.
Este último mês foi deveras intenso, envolvido no voluntariado.
Acompanhei um grupo de voluntários a Moçambique, mais concretamente ao Alto Molócuè (Zambézia), durante o mês de agosto. Eramos 7, um número que só por si é muito simbólico que representa a perfeição. Por isso foi um mês perfeito, em que trabalhamos concretamente no Centro Juvenil Padre Dehon em várias actividades, e permitiu-nos um encontro enriquecedor com outra cultura.
Durante os próximos dias partilharei convosco o que uma experiência destas foi suscitando dentro de mim ao longo deste mês...
Estejam atentos:)

Wednesday, July 04, 2012

Jantar solidário "Enterro da maçaroca" - 7 de julho


Olá amigos e amigas.
Aproxima-se mais um evento que já vai criando tradição na ALVD (Associação Leigos Voluntários Dehonianos). Estou a falar do famoso jantar solidário "Enterro da maçaroca", que já vai na sua 4ª edição.
Realizar-se-á, como já vem sendo tradição no aprazível espaço do Mercado dos Lavradores, no dia 7 de julho, a partir das 20h.
Quais as razões que te podem levar a participar?

1º É uma oportunidade para contribuires com o projeto que a ALVD está a desenvolver em Moçambique, mais concretamente no Alto Molócuè. A nossa presença é contínua desde 2008, altura que começou a funcionar o Centro Juvenil.Por este centro já passaram desde 2006 cerca de 40 voluntários todos da Madeira. Desses 6 foram por um periodo de 1 ou mais anos. Atualmente temos 2 voluntários lá a tempo permanente. Acreditamos que estamos a marcar a diferença naquela comunidade concreta.
Por isso, ao participar neste evento está ajudar-nos a ajudar.

2º Estamos a concluir os santos populares. Daí o nome do evento "Enterro da Maçaroca". Poderás experimentar um jantar tradicional do S. João com as maçarocas, feijão maduro, semilhas com casca, salada mista e atum de escabeche. Também não faltarão saborosas sobremesas confecionadas pelos voluntários e pessoas amigas que colaboram connosco. Uma boa refeição, de qualidade comprovada, é também um bom motivo para ser solidário:)

3º A animação está garantida durante o evento. Temos alguns grupos que gratuitamente animarão o jantar. Temos confirmados a "Enfertuna", a cantora Vanessa e mais outras surpresas.

4º É sem dúvida um momento de convivio e descontração, carateristicas que marcam sempre esta atividade.

Por isso não faltes a este evento e divulga-o entre os teus amigos. Confirmem a vossa presença até quinta-feira à noite (5 de julho) e no limite até sexta ao almoço (6 de julho) contactando o Pe. Juan (967240986) ou para o email da associação (madeiraalvd@gmail.com)

Thursday, April 12, 2012

Quinta-feira da oitava de Páscoa - A paz, dom do Ressuscitado

Jesus apresentou-se no meio deles de disse-lhes: “A paz esteja convosco!” (Lc 24-35-48)

O grande dom do Ressuscitado aos seus discípulos é a paz. Várias vezes, na aparição de Cristo Ressucitado aos apóstolos, apresenta-se como paz.

Paz que significa tranquilidade, ausência do medo e do temor. Os apóstolos estavam assustados com tudo o que estava acontecendo, pois pensavam que era um espírito.

Tenhamos o nosso coração em paz, para que sem temor e na liberdade acolhamos a mensagem da alegria de Cristo Ressuscitado!

Wednesday, April 11, 2012

Quarta-feira da Oitava da Páscoa - Fica connosco pois a noite vai caindo...


"Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso" (Lc 24,13-35)

Mais um passo no nosso itinerário pascal.
O evangelho de hoje apresenta-nos a fabulosa narrativa dos discípulos de Emaús. É a caminhada de cada um de nós, marcada algumas vezes pela desilusão e pessimismo que não nos permite olhar mais longe.
É nesse sentido que Jesus, o Ressuscitado, companheiro de viagem abre o nosso coração amargurado com a Palavra. E o cume dessa caminhada é o encontro com Ele na fracção do pão, devolvendo a esperança e a alegria a estes dois discípulos.
Esta pode ser a parábola das nossas vidas, a parábola da devolução do sentido à nossa caminhada quotidiana.

Monday, April 09, 2012

Terça-feira na Oitava da Páscoa - Vi o Senhor!


“Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Vi o Senhor!» E contou o que Ele lhe tinha dito.” (Jo 20,11-18)


A experiência da Ressurreição de Jesus não é somente uma experiência espiritual, mas algo de concreto e visível.

Maria Madalena passa por esse processo, ela que conheceu Jesus durante a sua vida, o acompanhou no seu ministério e nutria de uma grande amizade por Ele. A sua angústia era saber onde tinham posto o corpo de Jesus, que tinha desaparecido do sepulcro… “não sei onde o puseram”. A descoberta de que Jesus não estava morto mas que tinha ressuscitado transforma-a totalmente… é uma experiência que não pode deixar de testemunhar.


A Ressurreição de Cristo é para nós uma realidade pois somos testemunhas dessa mesma ressurreição. “Vimos” o Senhor presente na Palavra e nos Sacramentos. Anunciemo-lo ao mundo!

Segunda-feira na oitava da Páscoa - Testemunhas da alegria


“Maria Madalena, e a outra Maria, que tinham ido ao túmulo do Senhor afastaram-se a toda a pressa, cheias de temor e de grande alegria, e correram a dar a notícia aos discípulos.” (Mt 28,8-15)


A Páscoa é o tempo do testemunho, do anúncio. Estas mulheres, depois da experiência do Ressuscitado voltam cheias de entusiasmo e alegria. E não guardam esta notícia para si, mas espalham-na por todos aqueles que conhecem.

Somos também hoje interpelados a ser testemunhos, anunciadores de boas notícias.

Anunciar Cristo Ressuscitado deve ser para nós um motivo de alegria!

Sunday, April 08, 2012

Domingo de Páscoa - Deus venceu a morte!

Cristo Ressuscitou!! Aleluia!

Hoje é dia de Páscoa... celebramos a Ressurreição de Cristo!
É o dia do testemunho do Ressuscitado, da alegria da proclamação da nossa fé. Cristo ressuscitou para dar-nos uma vida em plenitude... para aspirarmos a algo mais que a nossa mera existência biológica.
Não deixemos calar em nós esta enorme alegria... partilhemos esta mensagem sendo portadores da esperança e da Paz.

Boas Páscoas para todos... que Cristo seja a vossa alegria!!!

Saturday, April 07, 2012

Sábado Santo - Tempo do silêncio

De uma antiga homilia de Sábado Santo (sec. IV)

Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos. Deus morreu segundo a carne e acordou a região dos mortos.

Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte, Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu Filho.

Entrou o Salvador onde eles estavam, levando em suas mãos a arma vitoriosa da cruz. Quando Adão, nosso primeiro pai, O viu, batendo no peito, cheio de admiração, exclamou para todos os demais: «O meu Senhor esteja com todos». E Cristo respondeu a Adão: «E com o teu espírito». E tomandoo pela mão, levantou-o dizendo: «Desperta, tu que dormes; levanta-te de entre os mortos e Cristo te iluminará».

«Eu sou o teu Deus que por ti me fiz teu filho, por ti e, por estes que nasceram de ti; agora digo e com todo o meu poder ordeno àqueles que estão na prisão: ‘Saí’; e aos que jazem nas trevas: ‘Vinde para a luz’; e aos que dormem: ‘Despertai’».

«Eu te ordeno: Desperta, tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos. Levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, minha imagem e semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em Mim e Eu em ti, somos um só.

«Por ti Eu, teu Deus, Me fiz teu filho; por ti Eu, o Senhor, tomei a tua condição de servo; por ti Eu, que habito no mais alto dos Céus, desci à terra e fui sepultado debaixo da terra; por ti, homem, Me fiz homem sem forças, abandonado entre os mortos; por ti, que saíste do jardim do paraíso, fui entregue aos judeus no jardim e no jardim fui crucificado.

«Vê no meu rosto os escarros que por ti suportei, para te restituir o sopro da vida original. Vê no meu rosto as bofetadas que suportei para restaurar à minha semelhança a tua imagem corrompida.

«Vê no meu dorso os açoites que suportei, para te livrar do peso dos teus pecados. Vê as minhas mãos fortemente cravadas à árvore da cruz, por ti, que outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.

«Adormeci na cruz, e a lança penetrou no meu lado, por ti, que adormeceste no paraíso e formaste Eva do teu lado. O meu lado curou a dor do teu lado. O meu sono despertou-te do sono da morte. A minha lança susteve a lança que estava dirigida contra ti.

«Levanta-te, vamos daqui. O inimigo expulsou-te da terra do paraíso; Eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas no trono celeste. Foste afastado da árvore, símbolo da vida; mas Eu, que sou a vida, estou agora junto de ti. Ordenei aos querubins que te guardassem como servo; agora ordeno aos querubins que te adorem como a Deus, embora não sejas Deus.

«Está preparado o trono dos querubins, prontos os mensageiros, construído o tálamo, preparado o banquete, adornadas as moradas e os tabernáculos eternos, abertos os tesouros, preparado para ti desde toda a eternidade o reino dos Céus».

Friday, April 06, 2012

Sexta-feira Santa II - Por amor

Sexta-feira Santa - A vitória do Amor


"Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" (Sl 21)

Hoje é o chamado dia da Paixão de Cristo... da sua morte na Cruz.
A palavra "Paixão" tanto pode estar ligada à dor e sofrimentos de Cristo e que a comunidade cristã hoje vive de uma forma expressiva, como também ao sentido do percurso de Cristo.
A razão da sua entrega, da doação da sua vida foi sobretudo uma questão de "Paixão" pelo Pai, de amor sem limites, que 0 leva a entregar-se totalmente.

É neste sentido que o grito de Jesus sobre a cruz (Meu Deus, porque me abandonaste?) não seja um grito de desespero e revolta.
Ao formular esta prece, Jesus, como judeu que era estava a invocar e a rezar o salmo 21. Este salmo, começando por ser um grito do sofrimento humano a Deus, finaliza numa tonalidade de esperança e confiança em Deus.
Por isso, a prece de Jesus sobre a cruz é acima de tudo o grito da esperança em Deus, que nunca abandona a condição humana.

Disponibilizo o salmo 21 para que o possas ler com calma... identifica Jesus nele, identifica-te nesse salmo...

2Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes? *
Como estais longe da minha oração, †
das palavras do meu lamento?
3Meu Deus, clamo de dia e não me respondeis, *
clamo de noite e não me prestais atenção.

4Vós, porém, habitais no santuário, *
sois a glória de Israel.
5Em Vós esperaram nossos pais, *
confiaram e Vós os libertastes.
6A Vós clamaram e foram salvos, *
confiaram em Vós e não foram confundidos

7Eu, porém, sou um verme e não um homem, *
o opróbrio dos homens e o desprezo da plebe.
8Todos os que me vêem escarnecem de mim, *
estendem os lábios e meneiam a cabeça:
9 «Confiou no Senhor, Ele que o livre, *
Ele que o salve, se é seu amigo».

10Fostes Vós que me tirastes do seio materno, *
sois Vós o meu defensor desde o regaço de minha mãe.
11A Vós fui entregue logo ao nascer, *
desde o seio materno sois o meu Deus.
12Não Vos afasteis de mim, porque estou atribulado *
e não há quem me ajude.

13Manadas de touros me cercaram, *
touros de Basã me rodeiam.
14Abrem as fauces contra mim, *
como leão que devora e ruge.

15Sou como água derramada, *
desconjuntam-se todos os meus ossos.
O meu coração tornou-se como cera *
e derreteu-se dentro do meu peito.
16A minha garganta ficou seca como barro cozido †
e a minha língua colou-se ao céu da boca. *
Assim me reduzistes ao pó do túmulo.

17Matilhas de cães me rodearam, *
cercou-me um bando de malfeitores.
18Trespassaram as minhas mãos e os meus pés, *
posso contar todos os meus ossos.
19Eles, porém, contemplaram e observaram-me. *
Repartiram entre si as minhas vestes †
e deitaram sortes sobre a minha túnica.

20Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim, *
sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.
21Livrai a minha alma da espada *
e das garras dos cães a minha vida.
22Salvai-me das fauces do leão *
e dos chifres do búfalo livrai este infeliz.
23Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos, *
hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.

Thursday, April 05, 2012

Quinta-feira Santa - Amou-os até ao extremo

“… amou-os até ao extremo.” (Jo 13,1-15)

Jesus não ensina a ser equilibrado, moderado, sendato.

O amor que Jesus vive, oferece e propõe é desiquilibrado, ilimitado.

Dá tudo sem esterar nada em troca.

Hoje, na Última Ceia define-se o que é o amor.

No gesto de lavar os pés, no Corpo oferecido na Eucaristia, Jesus marca a sua posição: a medida do amor é amar sem medida.

Quando me sento à tua mesa,

descubro qeu Tu estás aí para mim.

Oiço a tua voz dizer-me: Vinde todos,

os ferido pela vida, os cansados

e oprimidos por valores mesquinhos,

os que chorais, os que desanimais.

A todos nós, Tu ofereces o Pão e o Vinho

que são a tua vida oferecida.

In Rezar na Quaresma – Ano B, pp.88-89, Edições Salesianas.

Wednesday, April 04, 2012

Semana Santa - Quarta-feira - Vender Jesus

“Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata” (Mt 26.14-23)

Judas recusa Cristo. E vai procurar um substituto que preencha o vazio que ficou no seu coração. E fica com trinta moedas de prata.

Pode este dinheiro saciar a sua fome de amor e de sentido?

O pecado é isto: procurar alegria fora do amor, fora de Deus.

Quando não ouço a tua voz, Jesus…

quando não ponho em prática a tua Palavra…

quando me afasto de Ti…

quando recuso ser-Te fiél…

fico com as mãos cheias com trinta moedas.

E com o coração vazio e dorido.

In Rezar na Quaresma – Ano B, pp. 86-87, Edições Salesianas.

Tuesday, April 03, 2012

Semana Santa - Terça-feira - Atraiçoar Jesus


“E molhando o pão, deu-o a Judas…” (Jo 13,21-33.36-38)


É a mais dolorosa das traições: a de um amigo.

Para aquele que amamos, baixamos as defesas.

Jesus optou por não Se defender; a força do amor está na misericórdia.

O pão que Jesus oferece a Judas é sinal de amizade, de confiança, de intimidade. Jesus age com Judas (e connosco) como o melhor dos amigos. Ele mantém-Se fiél, apesar das traições. Não retira nunca a sua confiança.


Senhor, ajuda-me

a acreditar no amor

apesar das ofensas,

apesar dos enganos,

apesar das recusas.

In Rezar na Quaresma – Ano B, pp. 84-85, Edições Salesianas.

Monday, April 02, 2012

Semana Santa - Segunda-feira - Aos pés de Jesus


“… ungiu os pés de Jesus e enxugou-lhos…” (Jo 12,1-11)

Beleza e ternura. Este é o único gesto de amor que Jesus vai receber na semana final da sua vida.

Naquele, tempo, como hoje, tudo é calculado, medido. Gestos como este de Maria são cada vez mais raros. Maria ama Jesus e o amor não contabiliza aquilo que dá, não faz orçamentos, não programa estratégias: o amor entrega-se.

O amor de Maria sabe perceber a ocasião para fazer a diferença.

Senhor Jesus, é estando aos teus pés

que eu aprendo os gesto do amor autêntico.

Ensina-me a não ter medo de perder tempo

servindo os outros.

In Rezar na Quaresma – Ano B, p. 82, Edições Salesianas.

Sunday, April 01, 2012

Domingo de Ramos - Todos o abandonaram!


“Então todos O abandonaram, fugindo.” (Mc 14,1-15,47)


Judas prefere os seus esquemas de poder e as trinta moedas.

Pedro, armado em grande herói, mete o rqabinho estre as pernas.

Pilatos prefere agradar à multidão.

A multidão, que tanto apaludira Jesus, agora exige a sua morte.

Mas algumas mulheres fazem a diferença. Contra a força dos números, esquecendo a sua própria segurança, mantêm-se fiéis ao amor.


Olho para Ti e vejo-Te nu e sozinho.

Abandonado pelos amigos,

perseguido pelos poderosos, torturado…

traído também por mim…

manténs-Te fiél à tua condição

de Filho amado pelo Pai,

fiél à tua missão de nos dares a vida nova.

O teu amor torna-se palpável na tua cruz.

In Rezar na Quaresma – Ano B, p. 81, Edições Salesianas.